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Salmo 23 - Certamente e para sempre.

 
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Acordei nesta manhã de primavera, meditando no Salmo 23. Meditar é mais que pensar. Meditar é fruto da vontade do entendimento. Assim mesmo: “fruto da vontade do entendimento”. Esse fruto me veio tão maduro, tão doce e tão pleno, que desejei registrar e compartilhar com mais pessoas o seu sabor de delícia e de mel. Como na terra Prometida.  
 
“ O Senhor é o meu pastor e nada me faltará.”
 
 Todo mundo sabe que somos comparados a ovelhas, um animal burro e, por natureza, teimoso. Contudo,  dependendo do cuidado do pastor,a ovelha  pode tornar-se extremamente dócil. A ovelha nunca perde a burrice, mas pode ganhar a doçura, e a sensibilidade de um animal doméstico. Nosso Pastor é o Senhor e isso deve nos comunicar um profundo sentimento de proteção, de cuidado, de entrega, de assistência. Não precisamos temer porque ele cuida de nós. Que cuidado é esse?
 
“ Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranqüilas, refrigera a minha alma. Guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome.”
 
O cuidado do Senhor é todo-suficiente em nossas vidas. Neste versículo temos todas as nossas necessidades satisfeitas: comida, água, descanso para a alma e paz de espírito com justiça. Tudo o que Adão e Eva tinham originalmente no paraíso. O carro do ano, o emprego, a casa nova, o plano de saúde,  as roupas, os sapatos, o dinheiro, a faculdade, a segurança, e todas as demandas de consumo, foram agregadas à nossa vida como resultado do pecado. O pecado nos acrescentou esses fardos pelos quais vivemos e nos gastamos tanto. Contudo, nestes dois  versículos  temos elencado tudo o que precisamos, e a promessa de que Ele o concederá.
“Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.”
Depois da queda do homem, com toda certeza, algum dia, andaremos no vale da sombra da morte. A sombra da morte é o resultado natural do pecado. Por causa do pecado, morremos. Morremos não apenas a morte derradeira que nos leva diretamente ao  cemitério, mas a morte de cada dia: o cansaço, a prostração, o desânimo, o medo, são exemplos dos males que nos sobrevêm no corredor da morte. Contudo, Ele está conosco e para cuidar desse processo inexorável  de decadência física e mental, O Senhor usa a vara e o cajado. A vara para nos corrigir, e o cajado para nos orientar. Há dias em que precisamos da vara e há dias em que só o cajado basta. Com a vara, Deus nos restringe pela dor, com o cajado, Deus nos restringe pelo amor. As ovelhas teimosas que não ouvem a voz do Pastor conhecem a vara; as ovelhas submissas que ouvem a voz do pastor estão mais familiarizadas com o cajado. Mas uma coisa é certa: tanto a vara quanto o cajado nos são um consolo, porque nos lembram o cuidado do Senhor. Aqueles que  não são restringidos, não têm esse consolo: o consolo de saber que pertencem ao Senhor.  
“Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos. Unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda.”
Pois é, que pena, temos inimigos por aqui. Não nos bastasse o caminho sombrio e sem volta do vale da sombra da morte,  ainda colecionamos inimigos. Quem são os nossos inimigos? Certamente, são pessoas como nós. Dentre os nossos inimigos existem aqueles que estão a serviço do Diabo que lhes é pai. Mas também existem aqueles que são nossos irmãos e filhos do mesmo Pai.  Até mesmo dentre o povo de Deus há inimigos entre si. Assim como dois irmãos de sangue podem divergir em interesses e essa divergência resultar em inimizade, assim também dois irmãos espirituais também podem acumular ressentimentos e, nesse caso, Deus terá que julgar entre um e o outro. A mesa está sendo  preparada  na presença dos nossos inimigos e a nossa cabeça será ungida com óleo até que o cálice venha a transbordar. Ungir a cabeça com óleo é o símbolo do trabalhar do Espírito de Deus sobre nós. Deus soberanamente prepara situações que venham nos transformar à imagem e semelhança do seu Filho.
 Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida, e habitarei na casa do Senhor para sempre.”
Esse versículo começa e termina com duas palavras fortes que lembram as juras de amor entre dois enamorados: certamente e para sempre. Certamente, seguramente, com certeza, a bondade e a misericórdia do Senhor nos seguirão, aqui na terra,  todos os dias da nossa vida. Podemos estar confiantes em sua bondade e em sua misericórdia e o resultado dessa bondade e dessa misericórdia que estão  sobre nós,  nos levarão a habitar na casa do Senhor para sempre.
 Somos do Senhor e quem tem o Senhor tem tudo o que necessita. Certamente e para sempre. Essa é a nossa porção e esse é o nosso destino.   
 


       
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