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As limitações humanas

 
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Somos condicionados a pensar em humilhação como uma experiência que só se torna concreta quando um indivíduo é rebaixado publicamente. Culturalmente, a humilhação é apenas uma abstração à qual os cidadãos mais prósperos, mais inteligentes, mais desenvolvidos, mais cultos, jamais terão a desventura de conhecer. Dos atributos inerentes aos seres humanos fala-se muito em honra, em prestígio, em sucesso, em capacidade de superação. A pílula é sempre dourada quando se trata de avaliar o homem como a coroa da criação.
Não obstante, a humilhação é condição inerente à espécie humana. Do nascimento até à morte, a humilhação nos acompanha em qualquer situação. Seja rico ou seja pobre, todo homem é a personificação da humilhação pela própria condição humana que é frágil, precária, contingente, falível e mortal. De todos os animais, o homem é a criatura que mais necessita de cuidados ao nascer, que mais tempo demora em tornar-se independente, e que mais de perto conhece as suas próprias limitações. Paradoxalmente, o homem é também o animal mais orgulhoso, o mais presunçoso, o mais soberbo, o mais arrogante. Desde o nascimento essas duas condições antagônicas estão presentes nas relações inter-pessoais do homem com o seu semelhante, com Deus, com o cosmos, com o universo. A humilhação e a arrogância são os dois pilares da nossa casa terrestre, do tabernáculo da nossa habitação.
O homem pode circular por esses dois extremos e o faz com muita desenvoltura, e de maneira quase  inconsciente. Humilhação é a base da matéria que constitui o nosso corpo contaminado pelo pecado de Adão, o qual injetou na natureza humana a decadência física, a precariedade, e finalmente, a morte. Humilhação é a nossa herança terrena, é o modus vivendi que acompanha a trajetória dos organismos vivos, desde os mais simples até os mais complexos. Pode ser reconhecida em todos os estágios de vida, da ameba  ao homem.
Qualquer ser vivo é humilhado debaixo da potente mão de Deus, mas o homem demora mais tempo para reconhecer essa condição por ter sido feito à imagem e semelhança de Deus. O homem abusa dessa similaridade, brinca com a parecença, e se acha o dono do mundo. Falta-lhe modéstia para reconhecer que Jesus é o único homem que veio ao mundo tendo vida em si mesmo. Todos os demais não têm vida em si mesmo. A vida inerente que habita em Cristo é a única que pode vencer e que, de fato, venceu a morte. Mas o homem é orgulhoso demais para admitir que o pecado o fez perder a   posição original. A cultura humana prioriza a auto-estima, o amor próprio e todos os pensamentos que favoreçam a soberba desse homenzinho fraco, quebradiço, delicado, que depende de Deus para respirar e viver, mas se conduz pela vida como se dependesse do dinheiro ou da posição social que conquistou com a sua inteligência privilegiada.  
Não há nada melhor do que a tribulação para colocar as coisas e as pessoas nos seus devidos lugares de humilhação eficiente. Não há nada melhor do que uma boa dose de amargura para que o homem seja mais humilde e mais generoso com o seu semelhante. Ezequias era rei em Judá e enfermou gravemente durante o seu reinado. Após orar pela cura e ter a sua oração atendida, ele formulou a seguinte oração: “Mas o que direi? Ele falou comigo, e Ele mesmo fez isto. Andarei humildemente todos os meus anos, por causa da amargura da minha alma.” Isaias 38:15. 
A tribulação, a dor, o sofrimento, e a amargura colocam o homem no seu devido lugar quando trazem à lembrança a sentença genésica da qual nenhum de nós escapará:  “és pó e ao pó tornarás.” Gn. 3:19.  
 


       
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