Nem todo o conhecimento espiritual é capaz de fazer diferença num momento de crise. Muitas vezes, conhecemos a verdade mas não temos forças para invocar essa verdade sobre a nossa vida. No mundo espiritual não basta obter o conhecimento mental do poder de Deus e da sua eficácia. Precisamos aplicar esse conhecimento objetivo todos os dias, de tal maneira que a engrenagem da fé seja poderosa para nos fazer viver em um nível estável de suprimento espiritual e de comunhão com Deus e com a sua Palavra. Para mim, o versículo que melhor representa essa situação está descrito em Isaias 37. Naquela ocasião, o rei Ezequias, e todo o reino de Judá, estavam sendo ameaçados pelo rei da Assíria que vinha conquistando e devastando os impérios ao redor. O momento era assírio: o rei chegava com o seu exército e colocava o emblema da posse. Todas as forças do universo pareciam colaborar com o império do mal que avançava implacavelmente sobre os povos circunvizinhos. A Bíblia relata que quando chegou a vez do exército inimigo invadir Israel, Ezequias rasgou as suas vestes, cobriu-se com um pano de saco e entrou na casa do Senhor. Antes de entrar diante do Senhor, Ezequias tomou a posição de se humilhar. Um rei que se apresentava diante dos seus súditos com a roupa rasgada, coberto de pano de saco, era o símbolo máximo de humilhação. Nessa posição de servo humilhado, Ezequias colocou-se na presença do Senhor. Ezequias sabia que diante de Deus não pode haver outra majestade. Mas esse saber não era suficiente. Ezequias sentiu que ainda precisava de ajuda. Ainda lhe faltava alguma coisa. Enviou, então, alguns homens da sua confiança até a casa do profeta Isaias, dizendo: “ Este dia é dia de angústia e vitupérios e blasfêmias, porque chegados são os filhos ao parto, e força não há para os dar à luz.” Muitas vezes, nos sentimos assim: tudo está pronto em nosso conhecimento objetivo. Como a criança que é concebida e gestada durante 9 meses, conhecemos a Deus e ao seu poder, e reconhecemos que Ele está bem constituído dentro de nós. Sabemos que Ele “chama à existência as coisas que não são como se elas já fossem.” Se inquiridos a respeito da nossa experiência com Deus, poderíamos até mencionar as muitas vezes em que Ele verdadeiramente esteve conosco e transformou situações difíceis em momentos de grande vitória. Contudo, tal qual o bebê que está pronto, e na hora do parto a mãe descobre que não há força para trazê-lo à luz, também descobrimos que o nosso conhecimento mental acerca de Deus, nossas experiências pessoais passadas, não conseguem realizar o milagre que precisamos para o presente. Em algum momento do caminho o nosso conhecimento sobre Deus tornou-se intelectual; empírico, mas falacioso: uma carta escondida na manga. Apreciamos o nosso Deus e sabemos que Ele opera maravilhas. Mas a apreciação do que Deus realizou no passado não tem forças para fazer nascer o milagre que precisamos no momento presente. De repente, Deus se torna um personagem meramente histórico.
Por que isso acontece com tanta freqüência entre os filhos de Deus?
Porque as nossas forças espirituais não se alimentam do passado. O maná diário é uma figura disso. Ninguém que viva sem comer diariamente consegue resistir a uma simples virose. As pessoas alimentam-se todos os dias, em horários pré -determinados. As pessoas trabalham todos os dias para receber o salário no final do mês. As pessoas tomam banho todos os dias se quiserem manter-se limpas. As pessoa exercitam-se todos os dias se quiserem se manter saudáveis. Da mesma maneira, se queremos ter a força de Deus, precisamos cultivar, em nós, a vida de Deus. Mesmo em tempos que nos pareçam tranqüilos. Caso contrário, no dia mau, descobriremos, como descobriu o rei Ezequias: “chegados são os filhos ao parto, e força não há para os dar à luz.”
A força que vem do Alto precisa ser re-alimentada todos os dias. Tal qual o maná diário precisamos renovar essa força com a leitura da Palavra, com a oração e a comunhão diárias. Não podemos viver relaxadamente quando o dia nos parece bom. Nada está bom nesse mundo. Vivemos em uma luta constante até mesmo quando não conseguimos identificar o ataque do inimigo. Ainda que o inimigo esteja incursionando por outras terras, não significa que não conheceremos a adversidade em algum momento da caminhada. Ninguém passa incólume pela vida. E é bom que não passe para que a nossa esperança esteja em Deus.
Ezequias venceu o rei da Assíria, colocando-se na posição correta, humilhando-se na presença de Deus , e reconhecendo que nele não havia força alguma. Em resposta a essa atitude, Deus levantou o profeta Isaias. A palavra do profeta teve o mesmo peso da palavra de Deus. O que Isaias falou, cumpriu-se porque ele permanecera na presença de Deus. Quantos Isaias ainda existem hoje? E quantos querem vir a existir? Isaias não foi um super homem. Foi apenas um amigo de Deus.
|