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A evolução da espécie

 
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Há coisas que queremos mudar e podemos. Dentre as coisas que queremos mudar e podemos, é bem mais fácil mudar o que está fora de nós.  Mudamos de carro, mudamos de casa, mudamos de roupa, mudamos de estilo, mudamos de cidade, mudamos de aparência. Coisas que queremos mudar e podemos estão sempre acontecendo em nossas vidas, principalmente quando não nos custam muito.
Há coisas que queremos mudar,  mas o custo é maior.  Podemos mudar as nossas idéias, mas isso demanda tempo, mente aberta, raciocínio lógico, elaboração  e, principalmente,  humildade.
Eu acho que estar aberto a mudanças é uma das características mais sublimes do ser humano. Porque nascemos imperfeitos e morremos imperfeitos. Mas entre a primeira e a segunda imperfeição, precisa haver um crescimento espiritual para que nos aproximemos alguns milímetros a mais da perfeição de Cristo.
 Há pessoas que se negam a mudar e há outras que, mesmo mudando, fazem o que podem para esconder que já não pensam da mesma maneira. Tais pessoas evitam a todo custo admitir que ontem gostavam do azul e hoje gostam do verde.    
Negar a necessidade de mudança é pressupor que se alcançou a perfeição. Logicamente aquele que é perfeito, não precisa mudar. Mas o ser humano é falível.  A mudança é parte inerente daquele que  entende a vida como uma escola cósmica. Qualquer aluno que foi matriculado numa escola, ao final do curso,  será capaz de assimilar novos conceitos e, a partir desses conceitos, modificar os seus paradigmas e a sua visão de mundo. Não há nenhum demérito nisso. Pelo contrário, há uma evidência e um reconhecimento de que, a cada dia, devemos estar abertos para aprender, para rescindir o passado, ainda que o passado seja parte de um conjunto de dogmas e de crenças.
Foi assim que grandes homens construíram a história. Foi assim que Martinho Lutero rompeu com o seu passado religioso. Foi assim que Cristovão Colombo descobriu a América. Foi assim que Galileu Galilei quase morreu por declarar que o centro planetário era o sol e não a terra. Porque as mudanças são sempre  consideradas ameaçadoras para a grande maioria.
 Só Deus não muda. Só Deus tem a prerrogativa da imutabilidade. Embora Deus não mude, Deus se adapta às nossas mudanças de maneira que muitas coisas que nos acontecem são permitidas por Ele para nos aproximar alguns milímetros a mais da perfeição inatingível de Cristo.
Deus não muda, e ainda que não mude, Deus encaixa os seus planos dentro das nossas mudanças.
 É maravilhoso que Deus nos tenha concedido o livre arbítrio. E é espantoso que Deus seja capaz de combinar o nosso livre arbítrio com a sua soberania.   O livre arbítrio é - para mim -a maior prova de que o fluxo do Espírito é dinâmico e avança segundo a necessidade de cada era. Porque- embora Deus não mude- Ele se adapta a um homem que vive em constante mutação, de maneira que estamos vivendo um tempo em que a cada ação dos homens corresponde uma reação de Deus.
Houve um tempo, anterior a este, quando  Deus agia e o homem reagia. Foi assim até nos colocar diante da Árvore da Vida e da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. Depois de tudo pronto, Deus nos deixou a capacidade de ação, e passou a nos orientar com a sua reação. A primeira ação do homem foi escolher a árvore do conhecimento do bem e do mal. Deu no que deu. Estamos aprendendo à custa de muito sofrimento.
 Hoje Deus espera que homens imperfeitos sejam capazes de admitir que precisam de um Cristo perfeito. Só esse argumento pode validar as nossas mudanças e dar um sentido evolutivo para as nossas vidas. Não é Darwin quem dá um sentido evolutivo para a vida humana. É Cristo.  
  Certa vez, eu estava num grupo de amigos quando um deles resolveu expor as suas mudanças. Não eram boas mudanças. Não eram mudanças inspiradas na Bíblia e no Deus da Bíblia. Porque as pessoas também podem mudar para pior. As pessoas podem mudar por modismos e por influências malignas. E quando chamei atenção para esse fato, ele se justificou dizendo: “Ana, nós somos a geração coca-cola.” Lembro-me de ter respondido o seguinte:  “nós somos a geração coca cola mas Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e o será eternamente.”
Jesus Cristo é o único que não pode mudar porque Ele é Deus. Deus não muda. Os homens mudam. E devem mudar desde que as mudanças sejam inspiradas na Palavra de Deus e na ampliação da consciência. Ampliar a consciência significa que o que se fazia ontem, hoje já não se faz mais,  e o que se faz hoje, amanhã deixará de ser feito. Sob alguns aspectos, a mudança nunca deveria terminar e sempre deveria nos restringir. Quanto mais evoluído for o espírito do homem,  mais restringido ele é em seus caminhos. O homem evoluído pauta a sua vida por este versículo: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me convém.” I Cor. 6:12.
Em qualquer estágio da vida, deveríamos poder dizer com a humildade dos símplices: “eu só sei que nada sei”. Porque aquele que sabe que nada sabe está muitíssimo bem matriculado na escola da evolução da espécie. Da espécie de Cristo.


       
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