Dentro de nossas casas estamos inundados de aparelhagens de alta tecnologia, assistimos a filmes em 3D nos cinemas, conversamos e compartilhamos informações como o mundo todo através da internet, transmitimos notícias em tempo real e temos acesso à uma gama de informações que provavelmente nossos bisavós não tinham ideia de que era possível.
Hoje não queremos mais ir à lua, agora queremos marte. Não nos preocupamos mais com a construção de simples prédios, pois agora queremos construir cidades inteiras em ilhas artificiais.
Epidemias são controladas com vacinas, a educação é feita à distância, a rede elétrica foi levada aos lugares mais remotos e sempre carregamos no bolso um aparelho celular.
Antes tudo era composto por um ar de imaginação e sonhos que chegávamos a ter água na boca sobre os anseios e desejos da humanidade. Hoje não temos mais desejos, pois temos tudo o que precisamos, porém nos dizem que precisamos de mais, então consumimos mais e mais, sem aquela sede ao pote e sem aquele sorriso de criança no rosto, pois a tecnologia atual é mutável e passageira.
Tudo se tornou um sistema frenético, onde os números antes da virgula e os números depois da vírgula contrastam e nos dão a sensação de um mundo infinito. Em um lado temos bilhões de pessoas, milhões de carros, milhões de toneladas e por outro temos a nanotecnologia, os microchips e os nanorobôs.
As comidas simples e saborosas que compunham a mesa do campo, agora foram substituídas por produtos processados, com embalagens bonitas e sabores que iludem nosso estômago e paladar.
A música singela tocada com violas e violões ao redor de fogueiras, ao fundo de risos e “causos” foram substituídas por sons e vozes computadorizadas, que cantam músicas sem letras e sem melodia.
O andar descalço no orvalho que tanto nos dava prazer, agora é repudiado e fomos acostumados a recusar qualquer forma de “sujeira” ou impureza, mesmo que estas sejam a mais pura natureza.
Arco íris, lua cheia, estrelas cadentes já não são mais vistos, desde que não passem na televisão.
Mas com toda esta modernidade, está vindo uma complexidade que causa um sentimento de infelicidade coletiva, pois as pessoas são forçadas a serem o que não querem ser. Os anúncios dizem que seu cabelo não está bom, que sua roupa está feia, que seu carro é horrível e que a sua comida é ruim. Contudo mesmo fazendo tudo o que nos dizem, continuamos sendo infelizes, pois a felicidade está na simplicidade.
Considero que a felicidade seja um estado de espírito e não um sentimento, pois sentimentos não podem ser mantidos. Para que sejamos felizes temos que tomar como esteio as coisas que realmente existem e que depois de um ou dois dias, continuarão a nos fazer feliz.
Temos que correr na chuva, brincar no barro, andar descalços, sentar em família debaixo da luz do luar, contar piadas com os amigos e principalmente fazer amigos. E por mais poético que isso possa parecer, um dia nós fomos assim, mas a natureza humana nos foi tirada e hoje sofremos calados, pois nos deram uma revolução e não nos ensinaram a amar.
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