Amor e Posse

09/12/2014 19:54:33

 Eu tinha 6 anos quando descobri que podia ser dona das pessoas, e fui logo tomando posse da Sueli, a gauchinha filha do seu Orestes que chegara há pouco tempo de Passo Fundo tchê. Era dois anos mais velha do que eu, tinha um gênio de cão, e nenhuma boa vontade para ser possuída por uma garotinha pentelha e franzina, que pretendia deter o controle acionário de feudos, esconderijos, e possessões, incluindo horários para começar e terminar as sessões de faz de conta. Depois de muitos hematomas, percebendo que não ia rolar a posse sobre aquele ser que brincava me batendo, e me batia brincando, cancelei as brincadeiras, inventei desculpas, fechei esconderijos, dividi possessões e encerrei as sessões. Se eu não podia ser a dona da Sueli, ela também não seria a minha dona.

Descobri desse jeito que não podia ser a dona de todas as pessoas, só daquelas que quisessem me pertencer. Descobri também que ser dona de menina dava muito trabalho, mas quem sabe, talvez, pudesse ser dona de um menino. Era o filho do dentista. Que não era dentista, mas arrancava dentes. Chamava-se Wilson e era manso e bonzinho, embora também fosse lindo, o que nem precisava, porque para exercitar a posse, a mansidão e a bondade já me bastavam. Todas as manhãs, na hora do recreio ele me trazia o lanche, - que vinha da sua casa, - para eu examinar. Se o lanche fosse melhor do que o meu, a gente...

Ler completo >>